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  • Cristina Carvalho Tomasi

Proposta: Unidade Didática

No presente contexto,o foco do nosso trabalho é o incentivo à leitura de textos literários e sabemos que nessa leitura o espaço do leitor é ainda maior do que o espaço do qual dispõe o leitor de outros tipos de textos. Para tanto, vamos nos ater às idéias sobre leitura apresentadas pela teoria literária, a partir das teorias que enfocam mais especificamente o leitor e a forma como este se apropria e cria sentidos para o texto. Entre os teóricos que se dedicam a essa abordagem destacamos Hans R. Jauss, um dos expoentes da Estética da Recepção, assim como Iser.

Centro Educativo: Colégio Fernando Pessoa

Etapa: Módulo 1 - Literatura

Ciclo: 1º

Curso: 1º ano do ensino médio

Número de unidades didáticas ou módulos: 1unidade sobre crônica e 1 módulo sobre Literatura.

Número que ocupa essa unidade: 1

Prazo proposta para a unidade: 1 mês

Corpo Docente: Cristiane Freitas Bertanha Machado

A leitura do texto literário contribui com o sujeito despertando a curiosidade, ajudando a desenvolver a criatividade, a sensibilidade, dando lugar à fantasia e à expressão de sentimentos. Como se pode observar pela discussão aqui proposta, a literatura constituise um componente curricular fundamental para a formação dos leitores. Neste sentido propomos, a seguir, uma metodologia centrada no leitor, fazendo uso do método recepcional, que segundo Jauss amplia o horizonte de expectativas do leitor, na medida em que tanto em termos temáticos quanto formais, a obra se aproxima ou se distancia dos conhecimentos do leitor.

Como se pode observar pela discussão aqui proposta, a literatura constituise um componente curricular fundamental para a formação dos leitores. Neste sentido propomos, a seguir, uma metodologia centrada no leitor, fazendo uso do método recepcional, que segundo Jauss amplia o horizonte de expectativas do leitor, na medida em que tanto em termos temáticos quanto formais, a obra se aproxima ou se distancia dos conhecimentos do leitor. O método recepcional de ensino da literatura enfatiza a comparação entre o familiar e o novo, entre o próximo e o distante no tempo e no espaço”. (Bordini & Aguiar, 1993, p.86). Esse método apresenta, com relação ao leitor, cinco etapas:

1. Determinação do horizonte de expectativas;

2. Atendimento do horizonte de expectativas;

3. Ruptura do horizonte de expectativas;

4. Questionamento do horizonte de expectativas;

5. Ampliação do horizonte de expectativas.

Nesse processo de interação leitor texto, consideramos fundamental a figura do leitor. Este é visto como um co-participante na produção de sentido do texto; na medida em que o leitor leva para o texto suas expectativas, suas experiências passadas, com as quais, seguindo pistas deixadas pelo autor, elabora hipóteses, refutando ou reafirmando ideias e, dessa forma, constrói um sentido para o texto. Para tal desenvolvimento, será utilizado o gênero literário.

Crônica, por seu caráter leve e despretensioso que atrai e estimula a atenção do leitor, na medida em que fala de coisas aparentemente banais e cotidianas, mas carregadas de sensibilidade e profundidade. Assim sendo, a crônica atende a intenção primordial deste projeto que é o de incentivar a leitura do texto literário pelo prazer estético que o mesmo possibilita e, consequentemente, por seu caráter humanizador, uma vez que satisfaz a necessidade de fantasia de todo ser humano.

Objetivos

  • Possibilitar o conhecimento da­­s características dos gêneros literários em suas diversas formas, considerando o conteúdo temático, a forma composicional e as marcas linguísticas;

  • Reconhecer o contexto de produção da obra literária;

  • Perceber e utilizar os aspectos semânticos possíveis na leitura e produção dos textos literários;

  • Contar/narrar poesias utilizando-se dos recursos extralinguísticos, como entonação, expressões facial, corporal e gestual, pausas etc.

Tarefa 1: Fazer questionamento para saber o nível de conhecimentos dos alunos sobre literatura. Faz-se necessário nesse momento determinar o horizonte de expectativa do nosso leitor. Para tanto faremos alguns questionamentos oralmente com relação a sua experiência como leitor:

1) Que tipos de texto você já leu ? Cite alguns?

2) Você tem dificuldade para ler e compreender algum texto? Há textos

mais difíceis ou mais fáceis de se compreender?

3) Você se lembra de algum texto ou história lida que você achou

engraçado? Qual?

4) O que mais chama sua atenção em um texto? O assunto? O tamanho?

A maneira como foi escrito?

5) Diante de um texto mais longo ou difícil de entender, qual é a sua atitude

ou reação? Insistir na leitura? Pular partes? Desistir?

Tarefa 2

Neste momento será proposto aos alunos a leitura da crônica “A velha

contrabandista”, por se tratar de um texto fácil, curto e engraçado bem ao gosto de suas expectativas, uma vez que estamos levando em conta os possíveis resultados obtidos na primeira etapa de nosso trabalho. Sabe-se que os alunos, de modo geral, tendem a gostar mais dos textos mais leves e curtos.

A Velha Contrabandista

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.

Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:

- Escuta aqui, vovozinha, a senha passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?

A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:

- É areia!

Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.

Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte,

quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.

Diz que foi aí que o fiscal se chateou:

- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.

- Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:

- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?

- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.

- Juro - respondeu o fiscal.

- É lambreta.

Algumas considerações a respeito do texto e que serão propostas aos alunos para que comentem oralmente e façam uma breve análise do mesmo. Espera- se que os alunos sejam capazes de refletir sobre o texto.

1) Quais são os personagens do texto?

2) Quais são suas principais características?

3) Existe no texto um narrador? Ele participa dos fatos narrados ou apenas

conta?

4) Você achou o texto engraçado? O que dá ao texto seu tom humorístico?

5) Trata-se de um fato real (algo que realmente aconteceu) ou é apenas

ficção? Comente.

6) Embora, no texto, os personagens sejam ficcionais, podemos dizer que

é possível encontrar pessoas como o fiscal ou a velhinha?

Tarefa 3:

Propomos aqui a leitura de mais uma crônica humorística: O Homem Nu (Fernando Sabino)

Ao acordar, disse para a mulher:

— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o

sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro

da cidade, estou a nenhum.

— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.

— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.

Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:

— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.

Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.

Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!

Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:

— Maria, por favor! Sou eu!

Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.

Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado.

E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!

— Isso é que não — repetiu, furioso.

Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada:

"Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela

desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o

elevador subir. O elevador subiu.

— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem

nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.

Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrirse

com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:

— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu...

A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:

— Valha-me Deus! O padeiro está nu!

E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:

— Tem um homem pelado aqui na porta!

Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:

— É um tarado!

— Olha, que horror!

— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.

— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.

Não era: era o cobrador da televisão.

Esta é uma das crônicas mais famosas do grande escritor mineiro

Fernando Sabino. Extraída do livro de mesmo nome, Editora do Autor - Rio de

Janeiro, 1960, pág. 65. Atividade texto:

1) Quem é o personagem principal do texto?

2) Por que o homem combinou com a mulher de não abrir a porta se alguém batesse?

3) Por fez silêncio dentro do apartamento, quando o homem nu bateu na porta querendo entrar?

4) O homem nu apresenta diversas reações que mostram seu estado emocional , o que dá um tom humorístico ao texto,pois mostra o desespero dele. Como ele se sentiu quando:

a) Ouviu que outra porta se abria atrás de si:____________________

b) Ouviu passos na escada, lentos, vindos lá debaixo:_____________

c) Encontrou-se com a velha do apartamento vizinho:______________

d) A porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer:_______

5) Por que depois de passar por tanto sufoco, na tentativa de escapar do cobrador da televisão, o homem nu acabou abrindo a porta para ele?Explique com suas palavras.

6) O narrador participa dos fatos ou apenas conta o que aconteceu?

7) Podemos dizer que nos textos lidos, os personagens são tipos comuns?

8) Quanto à linguagem utilizada nos textos, pode-se dizer que se trata de uma linguagem comum, do dia a dia? Cite um exemplo de cada texto. Neste momento faremos algumas considerações a respeito dos textos lidos quanto à forma, linguagem utilizada, temática, tipo de narrador, especificando que se trata de uma crônica humorística, além de apontar outras características do gênero.

Tarefa 4: Propomos para este momento uma pesquisa bibliográfica (livros, internet), que será realizada em grupo de 04 alunos, sobre alguns cronistas brasileiros e suas crônicas, entre eles os dois autores dos textos estudados: Stanislaw Ponte Preta, Fernando Sabino, além de Rubem Braga, Carlos Heitor Cony e Luís Fernando Veríssimo entre outros. Vale ressaltar que os temas agora serão os mais variados, podendo aparecer crônicas de humor, costumes e temas urbanos, crítica social, pois para Jauss, o valor de uma obra literária decorre da percepção estética que a obra desperta no leitor, ao mesmo tempo em que contraria a expectativa do leitor. Uma de suas teses refere-se ao relacionamento entre literatura e a vida prática, onde procura examinar as relações da literatura com a sociedade. Nas suas palavras: “ a relação entre literatura e leitor pode atualizar-se tanto no terreno sensorial como estímulo à

percepção estética, como também no terreno ético enquanto exortação à reflexão moral.” (JAUSS, 1994)

Atividades práticas:

_ Organização dos grupos;

_ Escolha ou sorteio dos autores a serem pesquisados:

_ Cada grupo irá apresentar para a sala a pesquisa realizada e apresentar duas crônicas escolhidas por eles, durante a pesquisa;

_ Montagem de um painel com todos os autores e crônicas selecionadas para que toda a turma tenha possibilidade de ler.

Avaliação

O que propomos aqui é levar os alunos a se questionarem sobre seus horizontes de expectativas, o que pode ser feito oralmemte. Ao pesquisar e ler várias crônicas, percebe-se que é um texto de linguagem mais fácil e acessível? É um texto que estimula o leitor por ser mais simples ou mais fácil de compreender? Embora se trate de um tipo único (crônica), os temas ou assuntos abordados são os mesmos? Trata-se de um texto que apenas diverte pelo seu humor ou também leva a reflexão sobre temas mais complexos?

Atividades práticas: Leitura e estudo do texto teórico sobre a crônica:

A CRÔNICA

Do grego chronikós, relativo a tempo e do Latim, ‘crônica’; o vocábulo designava, nos tempos mais antigos, uma relação ou listagem de acontecimentos históricos, em ordem cronológica. Os antigos cronicões eram uma espécie de história, sem a preocupação de fazer-se uma análise ou mesmo interpretação dos fatos. Eles foram muito comuns entre os séculos II até aproximadamente o século XV. A partir desse momento, o termo utilizado para esse tipo de relato cristalizou-se como ‘História’. Mas o termo crônica continuou a ser empregado ainda durante o século XVI. Com o passar do tempo, a conotação historicista do vocábulo ‘crônica’ foi se desfazendo até ganhar sua acepção moderna, ou seja, a de texto um caráter com literário, mas ainda assim híbrido por circular amplamente na imprensa. Foi no século XIX que, a partir da ampla difusão e circulação dos jornais, a crônica estabeleceu a sua adesão definitiva aos jornais. Tornou-se comum nos jornais franceses e não tardiamente chegou ao Brasil. Ao final do século XIX, o Brasil tinha já importantes cronistas como J. de Alencar, Machado de Assis e outros. Já no século XX, João do Rio, Lima Barreto fazem o gênero ganhar larga difusão. As décadas de 30/40 contam com a presença de Rubem Braga, Raquel Queirós, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Carlos Drummond de Andrade. Hoje ponteiam os jornais de grande circulação Luís F. Veríssimo, Lourenço Diaféria, João Ubaldo ribeiro, Raquel de Queirós e outros.

Características do gênero:

Exatamente por estar situada num suporte de natureza efêmera e que trata do cotidiano,a crônica oscila entre a reportagem e a literatura, entre o relato de acontecimentos triviais e a recriação do cotidiano por meio da fantasia. Nesse sentido, será tanto mais literária quanto mais fugir da mera descrição ou comentário do cotidiano. Por isso, a crônica literária tende sempre à conotação, sua alma são metáforas, as comparações, o humor que dão ao fato/acontecimento comentado uma visão sempre particular e aguçada realidade por parte do cronista.

Marcas formais:

1.Brevidade: em geral,a crônica é um texto curto, em virtude de seu suporte, o jornal.

2. Presença forte de subjetividade do cronista: numa crônica avulta sempre o ‘eu’ particular do cronista que incide sobre o fato/acontecimento comentado a sua visão muito particular. A veracidade positiva dos acontecimentos cede lugar à veracidade emotiva com que o cronista olha o mundo.

3. Constante interlocução com o leitor: o cronista fala diretamente com o leitor, ele é seu alvo no sentido de transmitir uma visão da realidade, a sua visão. Embora haja esse interlocutor explícito, MOISÉS (1983) considera a crônica um monodiálogo, já que o cronista fala o tempo todo de si mesmo, mesmo que a propósito de um certo acontecimento do cotidiano.

4. Linguagem literária: diferentemente dos outros textos que figuram um jornal ou revista, a crônica tem uma linguagem que lhe é muito própria. Ela é diferente da linguagem objetiva do texto jornalístico, pois é marcada pelo estilo literário, cheio de metáforas, ironias, alegorias, etc. Por tratar de temas cotidianos, a crônica é marcada pela oralidade, muito embora não deixe de lado certo filosofismo ou mesmo uma análise mais contundente do fato/acontecimento do qual trata o cronista. ’Se, por vezes, como nos crônicas dum Rubem Braga, dum Fernando Sabino ou Carlos Drummond de Andrade, para citar apenas três dos maiores, uma transcendência emana do acontecimento, trata-se duma transcendência ain a rasteira, a que o leitor pode aceder prontamente: transcendência que se pode assimilar com uma simples leitura, sem apelo à reflexão ou à inteligência crítica; transcendência que aflora ao sabor da conversa descontraída, não a que emerge da análise exigente e vertical de uma complexa questão ‘ (MOISES,1983)

5. Enfermidade:”Ambigüidade, brevidade, subjetividade, diálogo, estilo entre oral e literário, temas do cotidiano, ausência do transcendente,- eis os requisitos essenciais da crônica, a que falta adicionar tão-somente um outro, anteriormente mencionado: a enfermidade. Ainda que incorrendo no pecado da repetição creio apropositado retomar o tópico mesmo porque se relaciona com o próprio núcleo da crônica: destina-se ao consumo diário, como nenhuma obra que se pretenda literária.” (MOISÉS, 1983)

MOISÉS, Massaud. Crônica. In:______. A criação literária (prosa). São Paulo: Cultrix,1993.

2) Cada grupo deverá elaborar um texto em que seja relatado os pontos principais apresentados na discussão oral realizada até esse momento. O texto produzido deverá contemplar também as considerações e opinião do grupo a respeito da crônica.

A avaliação será contínua e ocorrerá através da observação direta das respostas dadas pelos alunos (oralmente e/ou por escrito) às questões propostas, bem como de sua participação no desenvolvimento das atividades.

Bibliografia

AGUIAR, Vera Teixeira de & BORDINI, Maria da glória. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. 2ª ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.

CANDIDO, Antônio. “A Vida ao Rés-do-Chão” In. A Crônica: O Gênero, sua

Fixação e suas Transformações no Brasil. Campinas, SP: Editora da UNICAMP; Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa, 1992, p. 13-14. 25

_________________. Literatura e sociedade. São Paulo: Nacional, 1976.

_________________. A literatura e a formação do homem, In: Revista

Ciência e Cultura. Piauí: Universidade Federal do Piauí, 1972.

_________________"O direito à literatura". In: Vários escritos. 3. ed. revista e

ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995.

EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. Tradução de Waltensir

Dutra.São Paulo: Martins Fontes, 2001.

ISER, W. A indeterminação e a resposta do leitor na prosa de ficção.

Tradução Maria Ângela Aguiar: Cadernos do Centro de Pesquisas Literárias da

PUCRS: série traduções,Porto Alegre, v.3, n.2, mar. 1999.

________. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. Tradução J. Kretschmer.São Paulo: Editora 34, 1999. v.2

Autora: Cristina Carvalho Tomasi

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