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EDUCAÇÃO FÍSICA INCLUSIVA : UMA PARCERIA DE SUCESSO ENTRE A ESCOLA E A FAMILIA

Autora: Cristina Carvalho Tomasi


Antigamente a Educação Física era vista como uma educação excludente, visando somente o rendimento, a seleção dos mais habilidosos, valorizando o individualismo, classificando os alunos como aptos e não aptos. Segundo Mutschele (1998) os professores eram centralizadores, e a prática era uma repetição mecânica dos movimentos esportivos. Somente no final dos anos 70, a Educação Física voltou-se para a psicomotricidade, sendo primeiramente implantada nas escolas especiais, para alunos com NEE (deficiência física e mental).. Hoje o professor de Educação Física não deve ser apenas treinador de habilidades, ele deve promover a inclusão, e valorizar a cultura corporal de movimento, fazendo com que a aula de Educação Física seja um espaço para todos. Partindo desse pressuposto, o papel do professor de Educação Física na inclusão é apresentar ao seu aluno o novo e o desconhecido, pois diante do desafio a criança tende a assimilar o conhecimento que possui. O professor deve começar sempre com uma atividade que a criança domina, e aos poucos incorporar 6 novos elementos, fazendo com que ela tenha que reestruturar internamente, gerando novos conhecimentos. Para Soler (2005) a tarefa do professor de Educação Física é complexa, pois deve compatibilizar os interesses do grupo com aqueles que apresentam NEE, atendendo a individualidade de cada um. E cada vez mais a necessidade de se praticar a inclusão, está ligada a nós profissionais. Devemos então, nos apropriar de conhecimentos específicos sobre certos aspectos da deficiência e partir do conhecimento de tais aspectos, afinal, educar para a diversidade é o objetivo maior da Educação. Em algumas deficiências, o professor de Educação Física, sendo o facilitador, deve tomar precauções, como, sempre estar atento, adequando o espaço a todos. Uma opção para a inclusão nas aulas de Educação Física é o esporte, que inclui todos os que querem jogar, participando do início até o fim. Ensinando o esporte estaremos também ensinando valores humanos essenciais para a formação de um ser humano integral, investindo nas habilidades pessoais e de relacionamento social. Sendo outra missão do professor de Educação Física ensinar o esporte fazendo com que todos possam participar e se divertir, criando sempre as adaptações necessárias. Lembrando que não é somente as pessoas com NEE que se encontram excluídas, mas todas aquelas consideradas inaptas. Outro ponto importante no desenvolvimento de todas as crianças é o processo avaliativo, que deve ser baseado em conceitos humanistas. Quando falamos em coletivo se inclui a presença da família na escola, pois é de extrema importância a relação família-escola, principalmente quando se fala em educação inclusiva, pois não tem como acompanhar um aluno sem a parceria com a família, a escola necessita de informações desse aluno para ter um acompanhamento mais abrangente. A família é mediadora e ativadora no processo de ensino-aprendizagem de maneira que o primeiro espaço social da pessoa é a sua família, no ambiente onde vive a criança constrói valores e referências sejam elas boas ou ruins. Os pais precisam estar conscientes e mobilizados a apoiar e estar em conjunto com a escola para o aprendizado do filho, algo que atrapalha muito o desenvolvimento das habilidades da pessoa com necessidade especial é a superproteção dos pais, de maneira que não contribuirá em nada para o desenvolvimento da autonomia da pessoa. Precisamos do apoio da família para um bom resultado do aprendizado do aluno, mas muitas famílias justificam a ausência por falta de tempo em estar presente em reuniões, em estar acompanhando as tarefas de casa ou atividades de sala de aula, em estar presente, pois o pai trabalha fora e não está presente todo o dia em casa, muitas famílias têm a dificuldade em aceitar que o filho é portador de necessidade especial, assim dificultando o desenvolvimento do aluno. A inclusão escolar, como se percebe, não é um processo fácil e rápido. Ela representa um desafio, no âmbito da escola regular e da própria família . Requer um ensino individualizado, de acordo com as capacidades de cada um, e exige que se trabalhe com as diferenças. É necessário, portanto que a escola deixe de lado o seu caráter seletivo. Para Mantoan (2008) as escolas de qualidade não excluem nenhum aluno de suas classes, de seus programas, de suas aulas, das atividades do convívio escolar mais amplo. Tendo contextos educacionais em que todos os alunos têm possibilidades de aprender, frequentando uma mesma e única turma. A inclusão escolar deve levar em consideração a pluralidade das culturas, a complexidade das redes de interação humana, e a ideia de que todo sujeito tem a mesma capacidade de inteligência. É a vontade que a subordina e faz com que pensemos que não há divisão de seres capazes e incapazes, e assim, a tomada de consciência parte de cada um de acordo com sua natureza intelectual. Na perspectiva inclusiva, a deficiência de um aluno não é motivo para que o professor deixe de proporcionar-lhes o melhor das práticas de ensino, ele deve partir da capacidade de aprender, levando em consideração a pluralidade das manifestações intelectuais. Segundo Machado (2008) o professor precisa considerar que o aluno é um ser em constante mudança e que precisa de liberdade para aprender e para produzir livremente o conhecimento. A escola inclusiva é aquela que busca construir no coletivo uma pedagogia que atenda todos os alunos e que compreenda a diversidade humana. Sartoretto (2008) acredita que precisamos abandonar o comodismo para que a inclusão realmente aconteça. Ensinar é marcar um encontro com o outro, e a inclusão escolar provoca uma mudança de atitude diante deste outro, que deixa de ser um indivíduo qualquer, e passa a ser alguém especial que contribui com nossos avanços, e com a construção de nossa identidade.

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Educação, Diversidade e Novas Tecnologias