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  • Cristina Carvalho Tomasi

AS DIFICULDADES DA INCLUSÃO NA ESCOLA ATUAL.

A ideia de uma sociedade inclusiva se fundamenta numa filosofia que reconhece e valoriza a diversidade, como característica inerente à constituição de qualquer sociedade. Partindo desse principio e tendo como horizonte o cenário ético dos Direitos Humanos, sinaliza a necessidade de se garantir o acesso e a participação de todos, a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada individuo. O paradigma da inclusão vem ao longo dos anos, buscando a não exclusão escolar e propondo ações que garantam o acesso e permanência do aluno com deficiência no ensino regular. No entanto, o paradigma da segregação é forte e enraizado nas escolas e com todas as dificuldades e desafios a enfrentar, acabam por reforçar o desejo de mantê-los em espaços especializados. Contudo a inclusão coloca inúmeros questionamentos aos professores e técnicos que atuam nessa área. Por isso é necessário avaliar a realidade e as controvertidas posições e opiniões sobre o termo. Outro aspecto a ser considerado é o papel do professor, pois é difícil repensar sobre trabalhar com a homogeneidade e nunca com a diversidade. Há também que se lembrar que todos os alunos vêm com conhecimentos pois faz parte de sua história de vida, exigindo uma forma diferenciada no sistema de aprendizagem.

Kunc (2002 p. 10), Dizem sobre inclusão:

"O princípio fundamental da educação inclusiva é a valorização dá diversidade e da comunidade Humana. “Quando a educação inclusiva é totalmente abraçada, nós abandonamos a ideia de que as crianças devem se tornar normais para contribuir para o mundo”.Desta forma a escola atual não está conseguindo corresponder às demandas da sociedade.

As exigências do mundo atual apontam para uma educação diferenciada; exigindo quantidade e não qualidade constante de informação dos educadores, uma vez que o mundo globalizado aponta para incessante transformação e qualificação desses educadores para receber seus alunos de maneira integrada e capacitada.

Esse desencontro se deve há má organização de politicas publicas gerando processos de exclusão das crianças com deficiência nas escolas, por falta de capacitação dos professores, infra estrutura das escolas e sem um auxilio devido as famílias por parte de orientação e psicólogos para mediar essa integração nas escolas, sobretudo, considerando uma sociedade cujo conhecimento é distribuído de forma desigual. Esse aspecto social se apresenta como um expressivo desafio da escola nos dias atuais, na medida em que algumas pessoas são privilegiadas e outras não conseguem ter acesso ao conhecimento. Nessa mesma perspectiva, Bossa afirma que:

"Vivemos em um país em que a distribuição do conhecimento como fonte de poder social é feita privilegiando alguns e discriminando outros. Precisamos buscar soluções para que a escola seja eficaz no sentido de promover o conhecimento e, assim, vencer problemas cruciais e crônicos de nosso sistema educacional: evasão escolar, aumento crescente de alunos com problemas de aprendizagem, formação precária dos que conseguem concluir o ensino fundamental, desinteresse geral pelo trabalho escolar, e a falta de inclusão social de verdade."

Nesse sentido, "a escola torna-se cada vez mais o palco de fracassos e de formação de profissionais precários”. Isso por que os professores se veem como fracassados e oprimidos diante da inclusão sem capacitação e local adequado para seu trabalho com essas crianças com deficiências.

Devem-se reconhecer as tentativas de reorganização da escola no sentido de prevenir e solucionar esta situação. Sem dúvida, a escola ainda ocupa um lugar central na vida das pessoas. É nela que são depositadas inúmeras expectativas em relação ao futuro do sujeito e da sociedade. É também o espaço por excelência onde o sujeito estabelece laços sociais para além da família.

Cabe salientar que a escola sofre os impactos das transformações sociais. Dentre tais transformações destacam-se as novas configurações da família. Atualmente, estamos diante de um declínio do exercício das funções parentais. O que vemos é, muitas vezes, a família delegando à escola responsabilidades que outrora eram culturalmente suas. O declínio do exercício das funções parentais gera impasses na constituição subjetiva, fazendo com que as crianças cheguem às escolas com fraturas significativas no desejo de aprender. Muitas delas apresentam problemas de aprendizagem como sintoma; o que exige da escola um redimensionamento de suas práticas e processos. Paralelamente, a escola, na atualidade, está diante do imperativo que reza que ela deve ser para todos, inserindo a inclusão como um dos focos principais a serem reelaborado.

Contrapondo embora a escola nunca tenha sido para todos, é fato que a Declaração de Salamanca da UNESCO teve um impacto social, cobrando da escola e da sociedade uma abertura para as diferenças. A proposta da Educação Inclusiva remete a uma ressignificação das práticas pedagógicas, respaldando-se no paradigma do respeito às diferenças. Exige uma nova organização da escola, sendo esta pautada por processos que assegurem o acesso, a permanência e a aprendizagem de todos os alunos. As transformações de novas configurações familiares, bem como exigência trazida pelo movimento da educação inclusiva, sem dúvida tiveram um impacto na escola, gerando inquietações, angústias, incertezas e inseguranças.

O professor, diante disso, é quem tem manifestado maior sofrimento, uma vez que tais transformações exigem dele um reposicionamento, para o olhar para diferentes processos de ensino e aprendizagem. Porque o professor está frente a alunos que, muitas vezes, apresentam impasses no que se refere à aprendizagem e ao relacionamento interpessoal, sendo frequente o sentimento de incapacidade e até mesmo a recusa em trabalhar com eles. Por isso, é premente que o professor seja acompanhado nesse processo.

Pensar na escola e no educador em meio a este panorama social em plenas transformações aponta para a necessidade de criação de parcerias que possam trabalhar de forma articulada. Nesse sentido, a articulação da Pedagogia, Psicanálise e Psicopedagogia traz subsídios importantes para a implantação de uma escola verdadeiramente inclusiva e, sobretudo, uma escola que busque a não (re)produção do fracasso escolar e sim êxito e aprendizado escolar a todas as crianças sem desigualdade.

Estamos propondo uma articulação interdisciplinar que possibilite apoio ao professor que, diante da diferença, se vê desamparado e impotente. Auxiliando o professor a retomar a sua função como educador.

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Educação, Diversidade e Novas Tecnologias